segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Porque o jovem não deve ler!

por Ulisses Tavares


Calma, prezado leitor, nem você leu errado, nem eu pirei de vez. Este artigo pretende isso mesmo: dar novos motivos para que os moços e moças de nosso Brasil continuem lendo apenas o suficiente para não bombar na escola.
E continuem vendo a leitura como algo completamente estapafúrdio, irrelevante, anacrônico, e permaneçam habitando o universo ágrafo dos hedonistas incensados nos realitys shows.
(Êpa, acho que exagerei. Afinal, quem não lê, muito dificilmente vai conseguir compreender esta última frase. Desculpem aí, manos: eu quis dizer que os carinhas, hoje, precisam de dicionário pra entender gibi daMonica, na onda dos sarados e popozudas que vêem na telinha, e que vou dar uma força pra essa parada aí, porra.)
Eu explico mais ainda: é que, aproveitando o gancho do Salão do Livro Infanto-Juvenil, em novembro agora no Parque do Ibirapuera, Sampa, pensei em escrever sobre a importância da leitura. Algo leve mas suficiente para despertar em meia dúzia de jovens o gosto pela leitura (de que? De tudo! De jornais a livros de filosofia; de bulas de remédio a conselhos religiosos; de revistas a tratados de física quântica; de autores clássicos a paulos coelhos.)
Daí aconteceram três coisas que me fizeram mudar de rumo e de idéia.
Primeiro eu li que fizeram, alguns meses atrás, um teste de leitura com estudantes do ensino fundamental de uma dezena de vários países. Era para avaliar se eles entendiam de verdade o que estavam lendo. Adivinhem quem tirou o último lugar, até mesmo atrás de paizinhos miseráveis e perdidos no mapa mundi? Acertou, bródi: o nosso Brasil.
Logo depois, li uma notícia boa que, na verdade, é ruim: o (des)governo de São Paulo anuncia maior número de crianças na escola. Mas adotou a política da não reprovação. Traduzindo: neguinho passa de ano, sim, mas continua técnicamente analfabeto. Porque ler sem raciocinar é como preencher um cheque sem saber quanto se tem no banco.
E, por último, li em pesquisa publicada recentemente nos jornais, que para 56% dos brasileiros entre 18 e 25 anos comprar mais significa mais felicidade, pouco se importando com problemas ambientais e sociais do consumo desenfreado. Ou seja, o jovem brasileirinho gosta de comprar muitas latinhas de cerveja, mas toma todas e joga todas nas ruas ou nas estradas, sem remorso.
Viram como ler atrapalha?
A gente fica sabendo de fatos que, se não soubesse, teria mais tempo para curtir o próprio umbigo numa boa, sem ficar indignado e preocupado com a situação atual de boa parte de nossa juventude.
E também faz o tico e o teco (nossos dois neurônios que ainda funcionam no cérebro, já que se dividirmos o quociente de inteligência nacional pelo número de habitantes não deve sobrar mais que isso per capita) malharem e suarem, em vez de ficarmos admirando o crescimento do bumbum e do muque no espelho das academias de musculação.
Porisso que, num momento de desalento, decidi que, de agora em diante, como escritor e professor, nunca mais vou recomendar a ninguém que leia mais, que abra livros para abrir a cabeça.
A realidade é brutal e desmentiria em seguida qualquer motivo que eu desse para um jovem tupiniquim trocar a alienação pela leitura.
Eu reconheço: a maioria está certa em não ler.
E tem, no mínimo, 5 razões poderosas , maiores e melhores que meus frágeis argumentos ao contrário:
  1. Se ler, vai querer participar como cidadão dos destinos do País. Não vale à pena o esforço. Como disse o Lula (que não teve muita escola, mas sempre leu pra caramba), a juventude não gosta de política, mas os políticos adoram. Porisso que eles mandam e desmandam há séculos;
  2. Se ler, vai saber que estão mentindo e matando montes de jovens todos os dias em todos os lugares do Brasil impunemente; principalmente porque esses jovens não percebem nem têm como saber (a não ser lendo) a tremenda cilada que é acreditar que bacana é mentir e matar também;
  3. Se ler, vai acordar um dia e se perguntar que diabo é isso que anda acontecendo neste lugar, onde só ladrões, corruptos, prostitutas e ignorantes, aparecem na mídia;
  4. Se ler, vai ficar mais humano e, horror dos horrores, é até capaz de sentir vontade de se engajar num trabalho comunitário, voluntário e parar de ser egoísta;
  5. Se ler, vai comparar opiniões, acontecimentos, impressões e emoções e acabar descobrindo que sua vida andava meio torta, meio gado feliz.
O espaço está acabando e me deu vontade de lembrar que ninguém -nem mesmo alguém que não vê utilidade na leitura - pode achar que há um belo futuro aguardando uma juventude que vai de revólver pra escola e, lá, absorve não conhecimentos mas um baseado ou uma carreirinha maneira. Sim, é outra pesquisa que li, esta dando conta que sete entre dez estudantes brasileiros andam armados, tres entre dez se drogam na escola, sete entre dez bebem regularmente.
Mas páro por aqui já que, apesar destes tristes tempos verdes e amarelos (as cores do vômito, papito), lembro também de tantos poetas, jornalistas e escritores que, ao longo de minha vida de leitor apaixonado, me deram toques de esperança, força e fé na mudança.
De um especialmente - o poeta Tiago de Melo - com seu verso comovido e repleto de coragem:
"Faz escuro, mas eu canto!"
Talvez meu pequeno cantar sirva de guia do homem (e mulher) de amanhã. E que, lendo mais, ele/ela evite de ter como única alternativa para mudar de vida dar a bunda (e a alma) ou engolir baratas (e a dignidade) diante das câmeras de televisão.




Ulisses Tavares é poeta (www.ulissestavares.com.br)

domingo, 13 de outubro de 2013

Vanguardas Europeias

Para poder entender o que foram os movimentos de vanguardas artísticas ocorridos na Europa no início do século XX é necessário compreender o contexto histórico ao qual estamos nos referindo. Naquela época, a Europa – então com 400 milhões de habitantes – se tornou o centro econômico, filosófico e artístico-cultural do mundo.
No entanto, politicamente, havia uma intensa turbulência naquele continente. Com a industrialização, a economia agrícola entrou em colapso, em alguns países, provocando uma série de complicações na estrutura social. O aumento da concorrência entre os países, devido à industrialização, provocou um momento de muita tensão. Com o assassinato de arquiduque Francisco Ferdinando (1), herdeiro do Império Austro-Húngaro, que aconteceu no dia 28 de junho de 1914, em Sarajevo, houve a culminância da Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918. Também nesse período, as levas de imigrantes europeus chegaram às Américas, possibilitando trocas de culturas. A mão de obra imigrante reproduzia substituía a escravidão, que mudou de roupagem chegou ao fim.
Nesse clima social, as ciências apresentaram um enorme progresso. A eletricidade, o telégrafo sem fio, o rádio, o cinema, o automóvel, o avião. Tudo isso começou a fazer parte da vida das pessoas nesse contexto, provocando profundas transformações no jeito de viver. Diante disso, a arte também passa por transformações. Não se concebe mais o conceito aristotélico de arte como mimesis (imitação) da realidade, tampouco a angústia subjetiva do romantismo expressa esse novo momento. O momento é caótico. A arte também.
Vale lembrar que poetas como Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire, Walt Whitman e Stéphane Mallarmé, entre outros, já produziam obras de conteúdos e formas revolucionários.
A inquietação intelectual ganhou corpo por meio dos movimentos artísticos denominados vanguardas, palavra que indica a parcela dos intelectuais que exerce um papel pioneiro, desenvolvendo técnicas, ideias e conceitos novos.

Cubismo
Essa palavra – Cubismo – aparece na pintura no ano de 1908, quando Matisse critica um quadro de Braque, no Salon des Indépendants. Por meio desse movimento, a pintura recria elementos da realidade por intermédio de formas geométricas. Em outras palavras, a pintura perde o descritivismo para apresentar relações e não formas acabadas.
Na pintura (e há quem diga que o que esses artistas faziam eram ‘pinturas’, mesmo hehehe), destacam-se Pablo Picasso, Juan Gris, Goerges Braque e Fernand Léger, entre outros.


Futurismo
A Europa foi surpreendida pelo Futurismo em 1909. Esse é o mais personalista dos movimentos, idealizado pelo Filippo Tomaso Marinetti (1876-1944), o qual era um egípcio de ascendência italiana e educação francesa. Sua proposta, fundamentalmente, é rejeitar o passado, o academicismo e destruir as tradições. Ele preconizava o verso livre, as “palavras em liberdade”, a “destruição da sintaxe”, a “imaginação sem fios”, enquanto enaltecia a velocidade e a tecnologia. No total, Marinetti publicou 30 manifestos sobre o Futurismo, mas em todos propunha o mesmo fascínio pela guerra aos museus e bibliotecas, repudiando o passado. A partir de 1919, passou a aderir aos ideais fascistas.

De acordo com o próprio Benito Mussolini, “o fascismo é uma concepção histórica em que o home é o que é na medida em que trabalha com o processo espiritual em que se encontra, na família ou grupo social, na nação e na história em que todas as nações colaboram”. “Contra o individualismo, a concepção fascista é pelo Estado; e é pelo indivíduo na medida em que este coincide com o Estado, que é a consciência e a vontade universal do homem na sua existência histórica”.


MANIFESTO FUTURISTA
(Publicado em 20 de Fevereiro de 1909, no “Le Figaro”)

1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais de nossa poesia.
3. A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.
4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com o seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.
5. Nós queremos glorificar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada também numa corrida sobre o circuito da sua órbita.
6. É preciso que o poeta prodigalize com ardor, esforço e liberdade, para aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.
7. Não há mais beleza, a não ser na luta. Nenhuma obra que não tenha um carácter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças desconhecidas, para obrigá-las a prostrar-se diante do homem.
8. Nós estamos no promontório extremo dos séculos!… Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Já estamos vivendo no absoluto, pois já criamos a eterna velocidade omnipotente.
9. Queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo –, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.
10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de toda a natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda a vileza oportunista e utilitária.
11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos as marés multicores e polifónicas das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor nocturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas lutas eléctricas; as estações esganadas, devoradoras de serpentes que fumam; as fábricas penduradas nas nuvens pelos fios contorcidos de suas fumaças; as pontes, semelhantes a ginastas gigantes que cavalgam os rios, faiscantes ao sol com um luzir de facas; os piróscafos aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de largo peito, que pateiam sobre os trilhos, como enormes cavalos de aço enleados de carros; e o voo rasante dos aviões, cuja hélice freme ao vento, como uma bandeira, e parece aplaudir como uma multidão entusiasta.

Expressionismo
No final do século XIX pintores como Vincent Van Gogh e Paul Cézanne já manifestavam tendências expressionistas. Todavia, esse termo foi usado inicialmente em 1901 pelo pintor francês Julien-Auguste Hervé, para designar seus quadros. Entretanto, o primeiro manifesto expressionista é de 1910, que apresenta-se como reação à estética impressionista de valorização sensorial.
O expressionista tem a tendência de deformar a realidade de maneira cruel, caricatural, devido às profundas influências recebidas pela guerra. Assim sendo, faces amedrontadas e angustiadas são comuns em obras expressionistas.
Em um dos manifestos expressionistas – publicado em 1917 pelo poeta Kasimir Edschmid – há a preocupação em estabelecer os rumos a serem tomados pela literatura, mediante a visão expressionista:
“Assim o universo total do artista expressionista torna-se visão. Ele não vê, mas percebe. Ele não descreve, acumula vivências. Ele não reproduz, ele estrutura. Ele não colhe, ele procura. Agora não existe mais a cadeia dos fatos: fábricas, casas, doença, prostitutas, gritaria e fome. Agora existe a visão disso. Os fatos têm significado somente até o ponto em que a mão do artista os atravessa para agarrar o que se encontra além deles”.

Dadaísmo
De acordo com especialistas, o Movimento Dadaísta (ou, simplesmente, Dada) é, de certa forma, uma culminância dos outros três movimentos de vanguarda. Há quem diga que ele nasceu em um café em Zurique, Suíça, em 1916, onde se reuniam pessoas de várias escolas como o cubismo francês, o expressionismo alemão e o futurismo italiano. Outros dizem, porém, que o dadaísmo surgiu em várias cidades simultaneamente, mas ganhou ápice em Zurique.
Tristan Tzara
O objetivo é a destruição dos valores burgueses e a crítica social por meio do non sense.
André Gide assim define essa vanguarda: “(...) é o dilúvio após o que tudo começa”. Já a origem da palavra é um tanto controversa. Em romeno, ‘dada’ significa ‘sim, sim’. Em francês, é traduzido por ‘cavalinho’.
Foi na Literatura que a ilogicidade e o espontaneísmo dadaístas alcançaram expressão máxima. No último manifesto que divulgou, o romeno Tristan Tzara (mentor do movimento) disse que o grande segredo da poesia é que “o pensamento se faz na boca”. Foi dessa forma que ele orientou a composição de poemas dadaístas:



Pegue num jornal.
Pegue numa tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pretende dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Em seguida, recorte cuidadosamente as palavras que compõem o artigo e coloque-as num saco.
Agite suavemente.
Depois, retire os recortes uns a seguir aos outros.
Transcreva-os escrupulosamente pela ordem que eles saíram do saco.
O poema parecer-se-á consigo.
E você será um escritor infinitamente original, de uma encantadora sensibilidade, ainda que incompreendido pelas pessoas vulgares.

Surrealismo

Com apoio nas teorias de Sigmund Freud e Karl Marx, o Surrealismo surgiu na França em outubro de 1924, quando André Breton (dissidente do Dadaísmo) lançou o Manifesto do Surrealismo.
O Surrealismo propõe que a arte flua livremente a partir do inconsciente, da livre associação, incorporando elementos de ilogismo, do idílio, da fantasia.
Quadro de Salvador Dali

Explorando os limites do real, estudando a loucura, os sonhos, os estados alucinatórios e quaisquer outros exemplos de manifestação do inconsciente, os surrealistas conquistaram uma imagem de impacto, que chega até nossos dias nas telas imortais de Salvador Dali, Juan Miró, Giorgio de Chirico e René Magritte, para mencionar apenas os mais conhecidos.

Segunda fase do Modernismo: poesia

Para efeito de estudo, localiza-se a segunda fase do Modernismo entre os anos de 1930 e 1945. É um período no qual a poesia modernista amadurece, pois os poetas abandonam o espírito destrutivo e irreverente da fase anterior.
Com a conquista da liberdade estética, os poetas da segunda fase desenvolvem plenamente suas tendências próprias, desvencilhando-se do interesse de chocar o público conservador, mas até mesmo revalorizando formas poéticas tradicionais, a exemplo do soneto. A poesia moderna desenvolve várias temáticas (social, religiosa, espiritualista, amorosa), e marca definitivamente sua presença.
É nesse período que a Literatura Brasileira conhece uma das gerações mais fecundas de poetas, da estirpe de Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Augusto Frederico Schmidt, Henriqueta Lisboa, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Dante Milano, Mário Quintana, Joaquim Cardoso e outros. Vale salientar que autores da primeira fase – como Manuel Bandeira e Mario de Andrade – também reinventam-se e permanecem produzindo nesse momento.

Carlos Drummond de Andrade
Nasceu em Minas Gerais em 1902 e morreu em 17 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro. É o mais importante poeta do Modernismo e apontado pela crítica como um dos melhores da Literatura Brasileira. Oi um dos fundadores de A Revista (1925), que serviu como órgão divulgador da nova geração de escritores mineiros.
Suas obras principais são: Alguma poesia (1930); Brejo das almas (1934); Sentimento do mundo (1940); A rosa do povo (1945); Claro enigma (1951); Viola de bolso (1952); Fazendeiro do ar (1954); A vida passada a limpo (1959); Lição de coisas (1962); Boitempo & A falta que ama (1968); Menino antigo (Boitempo II) (1973); As impurezas do branco (1973); A visita (1977); Discurso de primavera e algumas sombras (1977); Esquecer para lembrar (Boitempo III) (1979); A paixão medida (1980); Corpo (1984).
É importante ressaltar que o crítico literário caruaruense Álvaro Lins foi um dos responsáveis pelo reconhecimento do valor poético de Drummond. Inclusive, o mineiro chegou a escrever um texto, na década de 1940, que dava a Lins o epíteto de “imperador da crítica brasileira”. No texto, o poeta ainda mencionava que cada análise de Álvaro, no jornal Correio da Manhã, “tinha o dom de firmar um valor literário desconhecido ou contestado”.
Segundo Douglas Tufano, a obra poética de Drummond revela um lento processo de investigação da realidade humana. Desde os primeiros livros delineiam-se as linhas básicas da poesia de Carlos Drummond de Andrade: visão crítica da realidade social, frequentemente expressa através do humor e da ironia; certo desencanto com relação à vida, recusando-se a uma participação lírica ou sentimental, revelando um pessimismo em que o homem se encontra frente a frente com o vazio e com o nada:

“(...)
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha,
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo
E sempre no meu sempre a mesma ausência.”
“O enterrado vivo”. In: Poesia completa, Rio de Janeiro: Nova Aguiar.

Houve, ainda, durante o desenvolvimento de sua obra, uma fase de “poesia participante”, em que o poeta reconhecia a necessidade de se integrar no seu tempo, um tempo de destruição e morte. Pouco a pouco, porém, a participação social através da poesia foi sendo substituída  por uma visão cada vez mais desolada, em que a esperança no novo tempo cede lugar a uma resignação madura diante da falta de solidariedade e de justiça no mundo atual. Sentimento do mundo, José e A rosa do povo são obras que revelam o desencontro entre a imagem de uma sociedade justa e o contexto político do momento, marcado pelos conflitos desencadeados pela Segunda Guerra Mundial; no Brasil, a ditadura do Estado Novo também fazia suas vítimas. O poema a seguir exemplifica essa nova perspectiva.

Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes a vida presente.

Os laços familiares do poeta, a força do passado em que se originou o seu modo de ser e de encarar a realidade manifestam-se nos poemas em que trata do pai, da vida antiga em Itabira, passado que se projeta no presente:

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
“Confidência do itabirano”. In: Poesia completa

Enfim, o estilo despojado, o constante desenvolvimento da visão crítica da realidade e a constate preocupação com a linguagem dão a Drummond um lugar de destaque na história da literatura brasileira. Veja alguns de seus poemas mais conhecidos:

O mundo é grande
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Destruição
Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se veem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos, para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

O prosador
Ainda que se destaque como poeta, a prosa (contos e crônicas) ocupa um lugar de realce na obra de Drummond. Seu fino senso de observação consegue extrair dos fatos mais corriqueiros matéria para as crônicas que publicou regularmente durante vários anos em livros e jornais.
Ao escrever em prosa, Carlos Drummond de Andrade revela outros aspectos de sua personalidade literária, que encontra, nessa forma, sua melhor expressão. Como diz o próprio autor: “Mas a verdade é que se a poesia é linguagem de certos instantes, e sem dúvida os mais densos e importantes da existência, a prosa é a linguagem de todos os instantes, e há uma necessidade humana de que não somente se faça boa prosa como também de que nela se incorpore o tempo, e com isto se salve esse último”.
Seus livros principais, em prosa, são Contos de aprendiz (1951); Fala, amendoeira (1957); A bolsa & a vida (1962); Cadeira de balanço (1966); Caminhos de João Brandão (1970); O poder ultrajovem (1972); De notícias & não notícias faz-se a crônica (1974); Os dias lindos (1977); 70 historinhas (1978); Boca de luar (1984).

Cecília Meireles
Cecília Meireles Grillo (1901-1964), cujos poemas são extremamente melodiosos, de conteúdo místico e metafísico. A sua obra ocupa um lugar à parte em nossa literatura, pois, diferentemente das intenções nacionalistas e das inovações na linguagem, a sua poesia manteve-se presa ao lirismo de tradição portuguesa, mas com uma expressão bem pessoal. Herdando e ao mesmo tempo depurando a linguagem musical e cadenciada do Simbolismo, sua habilidade poética e seu lirismo transformaram em belos poemas a sua melancolia o sentimento de saudade do tempo que passa.
De sua obra poética, destacam-se Viagem (1929); Vaga música (1942); Mar absoluto (1945); Retrato natural (1949); Doze noturnos da Holanda (1952); O aeronauta (1952); Romanceiro da Inconfidência (1953); Canções (1956); Metal rosicler (1960); Poemas escritos na Índia (1962); Solombra (1963).

Murmúrio
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no seu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

Vinícius de Moraes
Inicialmente, a poesia de Marcus Vinicius de Melo Moraes (1913-1980) apresentava uma tendência religiosa, com textos longos, de acentos bíblicos, mas esse estilo vai desaparecendo pouco a pouco em favor de sua tendência natural: a poesia intimista, pessoal, voltada para o amor físico, com uma linguagem ao mesmo tempo realista, coloquial e lírica. Suas obras principais: O caminho para a distância (1933); Forma e exegese (1935); Ariana, a mulher (1936); Cinco elegias (1943); Poemas, sonetos e baladas (1946); Para viver um grande amor (prosa e poesia, 1965); Para uma menina com uma flor (prosa, 1966).

Soneto de carnaval
Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim

De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranquila ela sabe, eu sei tranquilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

Soneto da fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vive-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.


E, assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Prosa Romântica no Brasil

A prosa literária brasileira começa de fato no Romantismo, com os folhetins, que são histórias publicadas em capítulos nos jornais. Quando uma dessas histórias fazia sucesso, era lançada em forma de livro. Assim nasceram quase todos os romances importantes do século XIX no Brasil.

Tendências do romance romântico

De acordo com o tema principal que desenvolvem, os romances românticos podem ser classificados em:

·  Romance urbano – desenvolve temas relacionados à vida na cidade.
·  Romance sertanejo ou regionalista – aborda temas e situações que se passam longe dos centros urbanos. Focaliza a gente do interior, com seus costumes e valores peculiares.
·  Romance histórico – volta-se para o passado, numa reinterpretação nacionalista de fatos e personagens da nossa história.
·  Romance indianista – enfoca a figura do índio, idealizando-o.

Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882)

Extraindo da vida social da época personagens e situações, Joaquim Manuel de Macedo transpunha para o romance os tipos humanos que circulavam pelas casas e festas burguesas do Rio de Janeiro: o estudante conquistador, a moça namoradeira, o velhote metido a galã. As paisagens eram as praias desertas e convidativas ou as matas da Tijuca, por exemplo.
Além da estruturação do enredo – arte de prender a atenção do leitor, que Macedo rapidamente dominou -, a linguagem simples e coloquial é outro aspecto que aproxima ainda mais o autor de seu público. Suas personagens falam dos mesmos assuntos que as pessoas de seu tempo, usando a mesma linguagem.
Suas principais obras foram A moreninha, considerado por muitos estudiosos o primeiro trabalho romântico brasileiro digno de nota e O moço loiro.

Bernardo de Guimarães (1825-1884)

Quando esquentavam os debates sobre a questão abolicionista, Bernardo de Guimarães escreveu o romance A escrava Isaura, uma obra que apresenta todos os elementos tipicamente românticos e, apesar do título, não chega a enfrentar o problema da escravidão. É um caso de amor que move o romance, e não o problema social e humano da escravidão.

Taunay (1843-1899)

O interior do Brasil, com seus tipos humanos característicos e suas rígidas normas de comportamento social e familiar, constituiu uma fonte de grande interesse para os escritores românticos, que, na verdade, abriram o filão do romance sertanejo para a nossa literatura. A obra Inocência, de Alfredo d’Escragnolle Taunay, é considerada o melhor romance sertanejo do Romantismo.
Taunay deixou uma obra extensa, composta de romances, contos, peças de teatro, memórias etc. seus principais livros são: Inocência (1872) e A Retirada da Laguna (1874, diário de guerra).
O romance Inocência transcorre no ambiente rústico do interior do Mato Grosso. A jovem Inocência apaixona-se por Cirino, curandeiro ambulante que passava por médico e fora levado a sua casa pelo pai, Pereira, um mineiro rude, para tratar da saúde dela. Cirino é o primeiro homem a despertar-lhe realmente as emoções do amor, criando nela uma grande perturbação íntima, pois estava prometida ao rude vaqueiro Manecão.
Além de Cirino, encontra-se na casa de Pereira um naturalista alemão, Meyer, que estava no Brasil à procura de novas espécies de borboletas. Desconhecendo os preconceitos que marcavam a vida familiar sertaneja, Meyer não esconde sua admiração pela beleza de Inocência. Isso preocupa Pereira, que passa a vigiá-lo constantemente, dando oportunidade a Cirino de comunicar-se mais facilmente com a moça.
Com a partida de Meyer, as coisas se complicam, aumentando o medo de Inocência, que teme uma reação violenta do pai caso venha a saber do romance. A jovem instrui Cirino a procurar seu padrinho para que ele convença Pereira a concordar com o rompimento do compromisso com Manecão. Na ausência de Cirino, porém, o idílio é descoberto por Tico, um anão que espreitava continuamente Inocência. Manecão persegue Cirino e o mata. Algum tempo depois, morre Inocência.

José de Alencar (182-1877)

A obra do mais importante prosador do Romantismo pode ser assim esquematizada:
·  Romance social ou urbano à Cinco Minutos, A Viuvinha, Lucíola, Diva, A Pata da Gazela, Sonhos d’Ouro, Senhora, Encarnação.
·  Romance regionalista à O gaúcho, O tronco do ipê, Til, O sertanejo.
·  Romance histórico à O Guarani, As minas de Prata, A Guerra dos Mascates.
·  Romance indianista à Iracema, Ubirajara.
Nos romances sociais, Alencar revela seu talento de observador da alma humana, fazendo o estudo de certas figuras femininas. A esses estudos ele deu o nome de “perfis femininos”, dentre os quais se destacam o de Aurélia (em Senhora) e de Lúcia (em Lucíola). Alguns anos depois, Machado de Assis aprofundaria essa linha de análise psicológica do romance brasileiro.
Alencar destaca-se por ter defendido um estilo “brasileiro” na língua literária. Reivindicando o direito dos brasileiros a uma língua e literatura com fisionomia própria (porque isso era uma inevitável conseqüência do nosso desenvolvimento como nação independente), Alencar protestou contra os puristas, que achavam que nossos escritores deveriam escrever tal como se fazia em Portugal: “É essa submissão que eu não tolero; e, como já disse uma vez, quebraria a pena antes, do que aceitar semelhante expatriação literária. Admiremos Portugal nas tradições grandiosas de seu passado; nos esforços generosos de seu renascimento; prezemos sua literatura e seus costumes; porém, nunca imita-lo servilmente. Importaria anular nossa individualidade”.

Manuel Antônio de Almeida (1831-1861)

Em 1852, os capítulos semanais do folhetim Memórias de um sargento de milícias, publicado pelo Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, começam a fazer sucesso entre os leitores cariocas. Ninguém sabia quem era o autor, pois ele se escondia atrás do pseudônimo “Um brasileiro”. Mas com certeza era alguém que conhecia muito bem os becos, as praças, as tradições e os tipos humanos da cidade do Rio de Janeiro, onde transcorria a história. Publicado mais tarde em livro, esse folhetim do carioca Manuel Antônio de Almeida passou a ocupar um lugar especial na história do nosso Romantismo.
Memórias de um sargento de milícias mostra a vida da gente do povo, que vive nas casinhas simples do Rio de Janeiro “do tempo do rei” (D. João VI). A figura central, que garante a unidade das várias ações que se sucedem num ritmo bastante dinâmico, é Leonardo, filho enjeitado de Leonardo Pataca e Maria da Hortaliça e que foi criado pelos padrinhos: a parteira (a comadre) e um barbeiro (o compadre).

O romance conta as peripécias de Leonardo, seus casos com a mulata Vidinha, o namoro sério com Luisinha (com quem acaba casando-se no final) e seus planos para conseguir escapar da vigilância do severo major Vidigal, sempre de olho nele.

Introdução ao Romantismo



“Epa, epa!” Calma! Quando falamos em “Romantismo”, nos vem logo à cabeça a ideia de que estamos falando sobre um tipo de personalidade. Considera-se “romântica” a pessoa cujo caráter apresenta um conjunto de valores, como o gostar de dar e receber flores, de apreciar a leitura e declamação de poemas que abordem a temática amorosa, de emocionar-se com facilidade e tratar a pessoa amada com carinho e excesso de desvelo e delicadeza. É comum ver esse tipo de pessoa isolado dos demais, fazendo uma viagem interior tendo como fundo musical canções chamadas românticas arquivadas em seu MP4…
Entretanto, não é esse o tipo de Romantismo que estudaremos em Literatura. Na nossa disciplina, chamamos de “Romantismo” um amplo movimento que surgiu no século XIX e representou artisticamente os anseios da burguesia.


I.       Contexto histórico

O Romantismo, como escola literária, predominou na Europa na primeira metade do século XIX. Entretanto, o seu surgimento aconteceu no período imediatamente posterior à Revolução Francesa.
Lembremo-nos que a postura racional associada ao Iluminismo durante a maior parte do século XVIII permeou a Literatura nos textos arcádicos, que traduziam uma visão mais otimista da vida, com pastores e pastoras celebrando o amor em um cenário bucólico (campestre). Essas características serão fortemente desafiadas pela nova orientação cultural predominante no século XIX, associada ao Romantismo, que valoriza a livre expressão das emoções humanas.
Após a Revolução Francesa, o absolutismo europeu chegou ao final, incentivando o individualismo econômico e o nacionalismo. Essa conjuntura impeliu os artistas a voltarem os seus olhos para a burguesia, que surgia como alguém com cabedal financeiro, mas não intelectual. Portanto, era necessária uma transformação cultural equivalente à transformação política, oriunda da parte dos burgueses.
Em 1793, Luís XVI foi executado por haver conspirado contra a Revolução Francesa, considerada a primeira tentativa de colocar em prática os ideais iluministas.


II.      Características Literárias

As autoras Abaurre, Pantara e Fadel (2003:46) apresentam uma caracterização completa acerca dos porquês da exaltação da imaginação e dos sentimentos, presentes nesse movimento. “O burguês apresentava, aos olhos da aristocracia européia, um defeito grave e insuperável: não tinha linhagem, não tinha tradição, não tinha estirpe. Em outras palavras, não era nobre, não tinha ‘sangue azul’. Para compensar a falta de ancestrais nobres, de uma linhagem que pudesse ser artisticamente exaltada, era necessária a criação de um novo parâmetro de beleza, que substituísse aquele em voga na época, no qual os burgueses pudessem também se reconhecer.
A diferença entre o indivíduo e a sociedade em que vive será de extrema importância para os românticos. Deslocados socialmente, dotados de uma extrema sensibilidade e de uma alma pura, só restará aos novos artistas uma saída: a fuga do presente para um passado idealizado ou um futuro utópico”.
Durante o século XVII, o resgate da perspectiva e da harmonia clássicas marcou o trabalho dos pintores e produziu obras em que a precisão do detalhe contribuía para criar, no observador, a sensação de objetividade.
A estética romântica promove uma imprecisão de contornos e gera um senso de indefinição que provoca no observador uma sensação de maior subjetividade.

O grande canal visto de São Vito, de Canaletto, 1734

Veneza, de William Turner, 1843


A fuga do presente e da realidade

Os ideais da Revolução Francesa, baseados no trinômio “liberdade, igualdade e fraternidade”, não foram percebidos pelos jovens europeus de algumas décadas posteriores à revolução. Como consequência, enquanto alguns ainda confiavam nos destinos da revolução burguesa, outros caíram em um forte pessimismo, adotando uma postura de fuga da realidade. Foge-se para qualquer lugar: o passado (a Idade Média ou a infância), o futuro, a natureza, o sonho, a loucura, o “eu”, a vida boêmia, a morte.

Filhos de uma nação

O nacionalismo, uma das mais discutidas características do Romantismo, é uma consciência partilhada por um grupo de indivíduos que se sente ligado a uma terra e que possui uma cultura e uma história comuns, marcadas por eventos vividos em conjunto.
A Revolução Francesa trouxe o sentimento nacionalista para a Europa do século XIX. A transformação política decorrente do processo revolucionário estabeleceu o princípio de que a soberania não tem existência em si mesma: ela deriva da nação, do povo como um todo. O estado não pode mais ser visto como uma “propriedade” particular do governante – como era no Absolutismo –, ele só se legitima na medida em que incorpora a vontade do povo que o constitui.
O indivíduo deixa de ver-se como um súdito do rei e passa a ser o cidadão de uma terra unida, a pátria. É da união dessas duas idéias (o povo dotado de soberania e unido em uma nação) que nasce o ideal nacionalista.
O nacionalismo romântico emerge com força total na Alemanha, onde surge o conceito de “alma do povo” (“volkgeist”), pelo qual cada povo é único e criativo e expressa seu gênio na linguagem, na literatura, nos monumentos e tradições populares.

Fique por dentro!!!
A estética romântica assumiu uma feição anticlássica, proclamando a liberdade individual do artista, eximindo-o da necessidade de imitação dos clássicos greco-latinos.
O sentimento nacionalista fez com que lendas populares de inspiração medieval fossem recuperadas, para valorização do heroísmo e da nobreza de caráter, permitindo a construção de uma identidade nacional que recuperasse a "alma do povo".

A livre expressão de sentimentos conferiu aos românticos a alcunha de sentimentalistasa e individualistas, associando-os à manifestação de uma imaginação intensa, permeada pela atividade noturna e sonhadora. Em decorrência disso, a fuga da realidade era marcante nas obras literárias do período.

sábado, 23 de junho de 2012

Exercício de Revisão - 2º Ano

Assuntos: Prosa Romântica no Brasil e Realismo/Naturalismo Brasileiro


1-      No que concerne à Prosa Romântica Brasileira, assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
(   ) Durante o Romantismo, houve um significativo desenvolvimento da prosa de ficção brasileira, sobretudo do romance, devido à existência de um público consumidor e de autores que iam ao encontro das aspirações do mesmo.
(   ) Merecem destaque entre os romancistas desta fase Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, Visconde de Taunay e Raul Pompéia.
(   ) Pode-se dividir a obra de José de Alencar em três fases. A primeira, de 1856 a 1864, na qual ele publicou alguns significativos romances e quase todos seus textos teatrais. Na segunda, de 1866 a 1869, ele cunhou, basicamente, escritos políticos. Já na terceira fase, de 1870 a 1875, publicou oito livros de ficção.
(   ) Em ‘Memórias de um Sargento de Milícias’, de Bernardo de Guimarães, o protagonista é Leonardo, filho enjeitado de Leonardo Pacata e de Maria da Hortaliça, que fora criado pelo padrinho e depois pela madrinha e desde cedo dava demonstrações de traquinagem. Amava Luisinha, mas esta se casara com José Manoel. É preso pelo Major Vidigal, depois ganha a liberdade e torna-se praça.

2-      A respeito de Realismo, pode-se afirmar:
 
I   – Busca o perene humano no drama da existência .
II  – Defende a documentação de fatos e a impessoalidade do autor perante a obra.
III – Estética literária restritamente brasileira; seu criador é Machado de Assis.
 
a) São corretas apenas II e III.
b) Apenas III é correta.
c) As três afirmações são corretas.
d) São corretas I e II.
e) As três informações são incorretas.

3-      Das características abaixo, assinale a que não pertence ao Realismo:
 
a) Preocupação critica.
b) Visão materialista da realidade.
c) Ênfase nos problemas morais e sociais.
d) Valorização da Igreja.
e) Determinismo na atuação das personagens.
 

4-      Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira, no que diz respeito aos autores e suas obras.

( 1 ) Aluísio Azevedo
( 2 ) Raul Pompéia
( 3 ) Machado de Assis

(   ) Memórias póstumas de Brás Cubas
(   ) Canções sem metro
(   ) O Mulato
(   ) Casa de Pensão
(   ) Dom Casmurro
(   ) O Ateneu  

5-      Explique sobre a produção teatral do Brasil no final do século XIX, informando suas características e citando os principais autores.


Gabarito

1-      V F V F
2-      D
3-      D
4-      3 2 1 1 3 2
5-       França Júnior e Artur Azevedo são os dois autores de teatro mais importantes do final do século XIX. Ambos se dedicaram à comédia e à sátira social.França Júnior (1838-1890), influenciado por Martins Pena, retratou bem certos tipos humanos e situações da época. Suas peças mais famosas são As doutoras e Caiu o ministério. Artur Azevedo (1855-1908) foi um infatigável batalhador pelo desenvolvimento do nosso teatro. Manteve durante anos a fio uma coluna na imprensa sobre o mundo teatral brasileiro. Foi cronista, contista e autor de numerosas comédias, dentre as quais merecem destaque “A capital federal” e “O dote”.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010