Contexto histórico
Esse termo é uma designação genérica das manifestações literárias produzidas no Brasil durante o século XVI. Nesse período, não se pode tratar de uma literatura do Brasil, mas sim, de uma literatura no Brasil - uma manifestação ligada ao Brasil, mas que denotas as intenções européias.
Marco inicial
1500 - A composição da carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra de Cabral, ao rei de Portugal, D. Manuel, relatando as características das terras descobertas.
Este documento, publicado em 1817, é considerado uma espécie de “certidão de nascimento” do Brasil.
Características
A produção literária do período se divide em dois tipos de literatura:
ü Literatura informativa (ou de viagens) - composta por documentos a respeito das condições gerais da terra conquistada, as prováveis riquezas, a paisagem física e humana etc. No princípio, a visão européia é idílica. Porém, na segunda metade do século XVI, à medida que os índios iniciam a guerra contra os invasores, a visão se transforma e os habitantes da terra são pintados como seres bárbaros e primitivos.
ü Literatura catequética - constituída pelos textos (poemas, peças de teatro) escritos pelos missionários para a catequização dos índios.
Autores e obras
ü Pero de Magalhães Gândavo, com Tratado da Terra do Brasil (escrito, provavelmente em 1570, mas publicado em 1826) e História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos Brasil (1576);
ü Padre Fernão Cardim, com Narrativa epistolar (1583) e Tratados da terra e da gente do Brasil;
ü Gabriel Soares de Sousa escreveu Tratado descritivo do Brasil (1587);
ü Diálogo sobre a conversão dos gentios (1557), do Pe. Manoel da Nóbrega;
ü História do Brasil (1627), de Frei Vicente do Salvador;
ü Duas Viagens ao Brasil, publicada em alemão por Hans Staden em 1557;
ü Viagem à Terra do Brasil, escrito pelo francês Jean de Léry no ano de 1578.
A obra literária de Anchieta
José de Anchieta (1534-1597) ingressou na Companhia de Jesus com 17 anos. Em 1553, veio para o Brasil e aqui ficou até morrer. Desempenhou um papel destacado na fundação de São Paulo e na catequese indígena. Além de homem de ação, foi também escritor religioso, tendo produzido poesias líricas, épicas, teatro (autos), além de cartas, sermões e uma gramática da língua tupi.
sábado, 31 de outubro de 2015
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Classicismo (1527-1580)
O Classicismo foi conseqüência do Renascimento, importante movimento de renovação científica e cultural ocorrido na Europa que marca o nascimento da Idade Moderna.
A base do Renascimento encontra-se no crescimento gradativo da burguesia comercial e das atividades econômicas entre as cidades européias, o que acabou estimulando a vida urbana e as manifestações artísticas, que passaram a ser patrocinadas por ricos comerciantes (mecenato). O aperfeiçoamento da imprensa possibilitou uma maior difusão de idéias novas, contribuindo para o enriquecimento do ambiente cultural. As grandes navegações alargaram a visão de mundo do europeu, que entrou em contato com culturas diferentes. A matemática se desenvolveu, bem como o estudo das línguas, surgindo as primeiras gramáticas de língua portuguesa.
Todo esse contexto fez nascer uma visão antropocêntrica de mundo. Ou seja, o homem é visto como centro do universo. O cristianismo continua imperando, mas o homem renascentista já não é tão angustiado com as questões religiosas como o era o homem medieval.
Dois movimentos religiosos que marcaram o século XVI tiveram grande repercussão social e cultural: a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero (1483-1546); e a Contra-Reforma, movimento de reação da Igreja Romana
Os artistas – pintores, escultores, arquitetos – inspiravam-se nas obras dos antigos gregos e romanos, que se transformaram em modelos. Por isso mesmo, dizia-se que a gloriosa arte antiga estava renascendo.
Classicismo em Portugal
O marco inicial do Classicismo português é em 1527, quando se dá o retorno do escritor Sá de Miranda de uma viagem feita à Itália, de onde trouxe as idéias de renovação literária e as novas formas de composição poética, como o soneto. O período encerra em 1580, ano da morte de Luís Vaz de Camões e do domínio espanhol sobre Portugal.
Classicismo Literário
Os escritores classicistas retomaram a idéia de que a arte deve fundamentar-se na razão, que controla a expressão das emoções. Por isso, buscavam o equilíbrio entre os sentimentos e a razão, procurando assim alcançar uma representação universal da realidade, desprezando o que fosse puramente ocasional ou particular.
Os versos deixam de ser escritos em redondilhas (cinco ou sete sílabas poéticas) – que passa a ser chamada medida velha – e passam a ser escritos em decassílabos (dez sílabas poéticas) – que recebeu a denominação de medida nova. Introduz-se o soneto, 14 versos decassilábicos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Luís de Camões (1525?-1580): poeta soldado
Escritor de dados biográficos muito obscuros, Camões é o maior autor do período. Sabe-se que, em 1547, embarcou como soldado para a África, onde, em combate, perdeu o olho direito. Em 1553, voltou a embarcar, dessa vez para as Índias, onde participou de várias expedições militares.
Em 1572, Camões publica Os Lusíadas, poema que celebrava os recentes feitos marítimos e guerreiros de Portugal. A obra fez tanto sucesso que o escritor recebeu do rei D. Sebastião uma pensão anual – que mesmo assim não o livrou da extrema pobreza que vivia. Camões morreu no dia 10 de junho de 1580.
A Poesia Épica de Camões
Como tema para o seu poema épico, Luís de Camões escolheu a história de Portugal, intenção explicitada no título do poema: Os lusíadas. O cerne da ação desenvolve-se em torno da viagem de Vasco da Gama às Índias.
A palavra “lusíada” é um neologismo inventado por André de Resende para designar os portugueses como descendentes de Luso (filho ou companheiro do deus Baco).
A Estrutura
Os lusíadas apresenta 1102 estrofes, todas em oitava-rima (esquema ABABABCC), organizadas em dez cantos.
Divisão dos Cantos
1ª parte: Introdução
Estende-se pelas 18 estrofes do Canto I e subdivide-se em:
Ø Proposição: é a apresentação do poema, com a identificação do tema e do herói (constituem as três primeiras estrofes do canto I).
Ø Invocação: o poeta invoca as Tágides, ninfas do rio Tejo, pedindo a elas inspiração para fazer o poema.
Ø Dedicatória: o poeta dedica o poema a D. Sebastião, rei de Portugal.
2ª parte: Narração
Na narração (da estrofe 19 do Canto I até a estrofe 144 do Canto X), o poeta relata a viagem propriamente dita dos portugueses ao Oriente.
3ª parte: Epílogo
É a conclusão do poema (estrofes 145 a 156 do Canto X), em que o poeta pede às musas que o inspiraram que calem a voz de sua lira, pois está desiludido com uma pátria que já não merece as glórias do seu canto.
A Lírica Camoniana
Camões escreveu versos tanto na medida velha quanto na medida nova. Seus poemas heptassílabos geralmente são compostos por um mote e uma ou mais estrofes que constituíam glosas (ou voltas a ele).
Os sonetos, porém, são a parte mais conhecida da lírica camoniana. Com estrutura tipicamente silogística, normalmente apresentam duas premissas e uma conclusão, que costuma ser revelada no último terceto, fechando, assim, o raciocínio.
Camões demonstra, em seus sonetos, uma luta constante entre o amor material, manifestação da carnalidade e do desejo, e o amor idealizado, puro, espiritualizado, capaz de conduzir o homem à realização plena. Nessa perspectiva, o poeta concilia o amor como idéia e o amor como forma, tendo a mulher como exemplo de perfeição, ansiando pelo amor em sua integridade e universalidade.
Outros Autores
Ø Francisco de Sá de Miranda (1481-1558). Escreveu poemas na medida nova e na medida velha. Escreveu, ainda, a tragédia Cleópatra, as comédias Os Estrangeiros e Vilhalpandos.
Ø Antônio Ferreira (1528-1569). Discípulo de Sá de Miranda, escreveu Poemas Lusitanos, Castro, Bristo e Cioso.João de Barros (1496?-1570), autor de As décadas da Ásia.
A base do Renascimento encontra-se no crescimento gradativo da burguesia comercial e das atividades econômicas entre as cidades européias, o que acabou estimulando a vida urbana e as manifestações artísticas, que passaram a ser patrocinadas por ricos comerciantes (mecenato). O aperfeiçoamento da imprensa possibilitou uma maior difusão de idéias novas, contribuindo para o enriquecimento do ambiente cultural. As grandes navegações alargaram a visão de mundo do europeu, que entrou em contato com culturas diferentes. A matemática se desenvolveu, bem como o estudo das línguas, surgindo as primeiras gramáticas de língua portuguesa.
Todo esse contexto fez nascer uma visão antropocêntrica de mundo. Ou seja, o homem é visto como centro do universo. O cristianismo continua imperando, mas o homem renascentista já não é tão angustiado com as questões religiosas como o era o homem medieval.
Dois movimentos religiosos que marcaram o século XVI tiveram grande repercussão social e cultural: a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero (1483-1546); e a Contra-Reforma, movimento de reação da Igreja Romana
Os artistas – pintores, escultores, arquitetos – inspiravam-se nas obras dos antigos gregos e romanos, que se transformaram em modelos. Por isso mesmo, dizia-se que a gloriosa arte antiga estava renascendo.
Classicismo em Portugal
O marco inicial do Classicismo português é em 1527, quando se dá o retorno do escritor Sá de Miranda de uma viagem feita à Itália, de onde trouxe as idéias de renovação literária e as novas formas de composição poética, como o soneto. O período encerra em 1580, ano da morte de Luís Vaz de Camões e do domínio espanhol sobre Portugal.
Classicismo Literário
Os escritores classicistas retomaram a idéia de que a arte deve fundamentar-se na razão, que controla a expressão das emoções. Por isso, buscavam o equilíbrio entre os sentimentos e a razão, procurando assim alcançar uma representação universal da realidade, desprezando o que fosse puramente ocasional ou particular.
Os versos deixam de ser escritos em redondilhas (cinco ou sete sílabas poéticas) – que passa a ser chamada medida velha – e passam a ser escritos em decassílabos (dez sílabas poéticas) – que recebeu a denominação de medida nova. Introduz-se o soneto, 14 versos decassilábicos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Luís de Camões (1525?-1580): poeta soldado
Escritor de dados biográficos muito obscuros, Camões é o maior autor do período. Sabe-se que, em 1547, embarcou como soldado para a África, onde, em combate, perdeu o olho direito. Em 1553, voltou a embarcar, dessa vez para as Índias, onde participou de várias expedições militares.
Em 1572, Camões publica Os Lusíadas, poema que celebrava os recentes feitos marítimos e guerreiros de Portugal. A obra fez tanto sucesso que o escritor recebeu do rei D. Sebastião uma pensão anual – que mesmo assim não o livrou da extrema pobreza que vivia. Camões morreu no dia 10 de junho de 1580.
A Poesia Épica de Camões
Como tema para o seu poema épico, Luís de Camões escolheu a história de Portugal, intenção explicitada no título do poema: Os lusíadas. O cerne da ação desenvolve-se em torno da viagem de Vasco da Gama às Índias.
A palavra “lusíada” é um neologismo inventado por André de Resende para designar os portugueses como descendentes de Luso (filho ou companheiro do deus Baco).
A Estrutura
Os lusíadas apresenta 1102 estrofes, todas em oitava-rima (esquema ABABABCC), organizadas em dez cantos.
Divisão dos Cantos
1ª parte: Introdução
Estende-se pelas 18 estrofes do Canto I e subdivide-se em:
Ø Proposição: é a apresentação do poema, com a identificação do tema e do herói (constituem as três primeiras estrofes do canto I).
Ø Invocação: o poeta invoca as Tágides, ninfas do rio Tejo, pedindo a elas inspiração para fazer o poema.
Ø Dedicatória: o poeta dedica o poema a D. Sebastião, rei de Portugal.
2ª parte: Narração
Na narração (da estrofe 19 do Canto I até a estrofe 144 do Canto X), o poeta relata a viagem propriamente dita dos portugueses ao Oriente.
3ª parte: Epílogo
É a conclusão do poema (estrofes 145 a 156 do Canto X), em que o poeta pede às musas que o inspiraram que calem a voz de sua lira, pois está desiludido com uma pátria que já não merece as glórias do seu canto.
A Lírica Camoniana
Camões escreveu versos tanto na medida velha quanto na medida nova. Seus poemas heptassílabos geralmente são compostos por um mote e uma ou mais estrofes que constituíam glosas (ou voltas a ele).
Os sonetos, porém, são a parte mais conhecida da lírica camoniana. Com estrutura tipicamente silogística, normalmente apresentam duas premissas e uma conclusão, que costuma ser revelada no último terceto, fechando, assim, o raciocínio.
Camões demonstra, em seus sonetos, uma luta constante entre o amor material, manifestação da carnalidade e do desejo, e o amor idealizado, puro, espiritualizado, capaz de conduzir o homem à realização plena. Nessa perspectiva, o poeta concilia o amor como idéia e o amor como forma, tendo a mulher como exemplo de perfeição, ansiando pelo amor em sua integridade e universalidade.
Outros Autores
Ø Francisco de Sá de Miranda (1481-1558). Escreveu poemas na medida nova e na medida velha. Escreveu, ainda, a tragédia Cleópatra, as comédias Os Estrangeiros e Vilhalpandos.
Ø Antônio Ferreira (1528-1569). Discípulo de Sá de Miranda, escreveu Poemas Lusitanos, Castro, Bristo e Cioso.João de Barros (1496?-1570), autor de As décadas da Ásia.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Seiscentismo ou Barroco
O Barrroco foi uma escola literária desenvolvida no século XVII. Nesse período, o terror provocado pela “Santa Inquisição” (imagem) tentava limitar pensamentos e manifestações culturais e impor a austeridade.
Ora, convém compreender que, durante o Renascimento (movimento intelectual que, no século XV, incentivou a recuperação dos valores e modelos da Antigüidade greco-romana), o ser humano cresceu em vários aspectos. Um desses aspectos foi pessoal, libertando-se da ameaçadora fé medieval.
A principal marca dessa libertação foi a Reforma Protestante, liderada pelo monge alemão Martinho Lutero, que rompeu com a Igreja Católica ao afirmar a retidão e a santidade de todos aqueles que cressem verdadeiramente. A Reforma Protestante atingiu diretamente a Igreja, que defendia a redenção da alma humana tão-somente pelo cumprimento dos preceitos católicos e pagamento de indulgências.
A Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola durante o Concílio de Trento, liderou a defesa e difusão do Catolicismo, como forma de combate ao Protestantismo.
As escolas e universidades jesuítas criaram um estilo próprio de arte e arquitetura: ricamente ornamentadas por querubins e virgens celestiais, parecem tentar comover o coração da mesma forma que o pregador buscava seduzir o intelecto. Nascia assim, intimamente ligada ao espírito da Contra-Reforma, a estética do rebuscamento, da filigrana, da ornamentação rica e excessiva, que será, mais tarde, denominada de Barroco.
Movimento literário
Como movimento cultural e artístico, o Barroco se estende do final de século XVI até o início do século XVIII. Tem origem na Itália, alcança vários países europeus e algumas de suas colônias, como o Brasil.
Em virtude da oposição existente entre traços culturais do homem barroco, suas manifestações artísticas e literárias são assinaladas pelas seguintes características:
a) Contraste: contraposição de temas, de assuntos, de motivos e de elementos expressivos, tais como a oposição entre a vida terrena e a vida eterna, espiritualidade e materialidade, etc.
b) Verbalismo: uso exagerado de imagens, de figuras de sintaxe, de metáforas difíceis, floreios literários, tais como: “tronos do pudor” para dizer “faces”; “conselheiro das graças” para significar “espelho”; “mobílias da boca”, em vez de “dentadura”; “memória do dedo”, em vez de “anel” e assim por diante.
c) Religiosidade: repetida freqüência de assuntos envolvendo toda uma problemática religiosa de época.
d) Sensualismo: contraposição à característica anterior; ênfase dada aos aspectos táteis, visuais, sensitivos, tanto em relação à natureza como ao corpo humano.
e) Pessimismo: nascido da oposição frontal feita entre o corpo e a alma, entre o eu e o mundo.
Cultismo e conceptismo
Diante da realidade, o homem barroco tinha duas perguntas: como é? o que é?
Da resposta à primeira pergunta surgiu a corrente cultista, que procurava esgotar descritivamente o ser em seu aspecto quer sensorial (cor, brilho, perfume, peso, forma) quer afetivo (gosto, dá prazer, dá pesar, etc.), utilizando para isso de inúmeras antíteses, metáforas, jogos de palavras. Muitas vezes o resultado era um malabarismo formal com pouco conteúdo. Tal corrente é chamada também de gongorismo, que teve no poeta espanhol Luís de Gôngora seu maior cultor. Contra o cultismo e, respondendo à segunda pergunta, surgiu o conceptismo, que era uma atitude de análise do ser, para a qual se empregavam os artifícios da lógica, como os silogismos, os dilemas etc. o cultismo foi predominante na poesia. O conceptismo, na prosa e teve como iniciador o poeta Quevedo, espanhol.
Barroco em Portugal e no Brasil
Para fins didáticos, o Barroco português vai de 1580 a 1756.
O ano de 1580 é significativo em dois aspectos: assinala a morte de Camões, o maior nome do Classicismo português, e marca o fim da autonomia política de Portugal, pois, com a morte de D. Sebastião, em 1578, o rei Filipe II, da Espanha, ganha o direito de subir ao trono português. Portugal passa a fazer parte do reino espanhol.
O padre Antônio Vieira é o principal autor do Barroco em Portugal, mas também se insere na literatura brasileira porque passou a maior parte de sua vida no Brasil.
Nos séculos XVII e XVIII, ainda não havia no Brasil condições para o desenvolvimento de uma atividade literária propriamente dita. Nosso imenso território era, na maior parte, despovoado. A vida social brasileira girava em torno de alguns pequenos núcleos urbanos e a vida cultural praticamente não existia. Só no século XIX começou a formar-se um público leitor que possibilitou a continuidade da produção literária.
Em vista dessa precariedade cultural da sociedade brasileira, seria exagero falar em movimento barroco no Brasil. O que temos, na verdade, são alguns escritores que, bebendo em fontes estrangeiras (geralmente autores portugueses e espanhóis), produzem aqui textos com características barrocas. Desses autores merecem destaque Gregório de Matos, por suas poesias e o padre Antônio Vieira, por seus sermões. Além deles, temos Bento Teixeira (1561?-1600), autor do poema “Prosopopéia”, de 1601, que costuma ser considerado o marco inicial do Barroco brasileiro, e Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711), autor do livro “Música do Parnaso”.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Introdução ao Romantismo
“Epa,
epa!” Calma! Quando falamos em “Romantismo”, nos vem logo à cabeça a ideia de
que estamos falando sobre um tipo de personalidade. Considera-se “romântica” a
pessoa cujo caráter apresenta um conjunto de valores, como o gostar de dar e
receber flores, de apreciar a leitura e declamação de poemas que abordem a
temática amorosa, de emocionar-se com facilidade e tratar a pessoa amada com
carinho e excesso de desvelo e delicadeza. É comum ver esse tipo de pessoa
isolado dos demais, fazendo uma viagem interior tendo como fundo musical
canções chamadas românticas arquivadas em seu MP 4…
Entretanto,
não é esse o tipo de Romantismo que estudaremos em Literatura. Na
nossa disciplina, chamamos de “Romantismo” um amplo movimento que surgiu no
século XIX e representou artisticamente os anseios da burguesia.
I. Contexto
histórico
O
Romantismo, como escola literária, predominou na Europa na primeira metade do
século XIX. Entretanto, o seu surgimento aconteceu no período imediatamente
posterior à Revolução Francesa.
Lembremo-nos
que a postura racional associada ao Iluminismo durante a maior parte do século
XVIII permeou a Literatura nos textos arcádicos, que traduziam uma visão mais
otimista da vida, com pastores e pastoras celebrando o amor em um cenário
bucólico (campestre). Essas características serão fortemente desafiadas pela
nova orientação cultural predominante no século XIX, associada ao Romantismo,
que valoriza a livre expressão das emoções humanas.
Após
a Revolução Francesa, o absolutismo europeu chegou ao final, incentivando o
individualismo econômico e o nacionalismo. Essa conjuntura impeliu os artistas
a voltarem os seus olhos para a burguesia, que surgia como alguém com cabedal
financeiro, mas não intelectual. Portanto, era necessária uma transformação
cultural equivalente à transformação política, oriunda da parte dos burgueses.
Em
1793, Luís XVI foi executado por haver conspirado contra a Revolução Francesa,
considerada a primeira tentativa de colocar em prática os ideais iluministas.
II. Características
Literárias
As
autoras Abaurre, Pantara e Fadel (2003:46) apresentam uma caracterização
completa acerca dos porquês da exaltação da imaginação e dos sentimentos,
presentes nesse movimento. “O burguês apresentava, aos olhos da aristocracia
européia, um defeito grave e insuperável: não tinha linhagem, não tinha
tradição, não tinha estirpe. Em outras palavras, não era nobre, não tinha
‘sangue azul’. Para compensar a falta de ancestrais nobres, de uma linhagem que
pudesse ser artisticamente exaltada, era necessária a criação de um novo
parâmetro de beleza, que substituísse aquele em voga na época, no qual os
burgueses pudessem também se reconhecer.
A
diferença entre o indivíduo e a sociedade em que vive será de extrema
importância para os românticos. Deslocados socialmente, dotados de uma extrema
sensibilidade e de uma alma pura, só restará aos novos artistas uma saída: a
fuga do presente para um passado idealizado ou um futuro utópico”.
Durante
o século XVII, o resgate da perspectiva e da harmonia clássicas marcou o
trabalho dos pintores e produziu obras em que a precisão do detalhe contribuía
para criar, no observador, a sensação de objetividade.
A
estética romântica promove uma imprecisão de contornos e gera um senso de
indefinição que provoca no observador uma sensação de maior subjetividade.
![]() |
| O grande canal visto de São Vito, de Canaletto, 1734 |
| Veneza, de William Turner, 1843 |
A fuga do
presente e da realidade
Os
ideais da Revolução Francesa, baseados no trinômio “liberdade, igualdade e
fraternidade”, não foram percebidos pelos jovens europeus de algumas décadas
posteriores à revolução. Como consequência, enquanto alguns ainda confiavam nos
destinos da revolução burguesa, outros caíram em um forte pessimismo, adotando
uma postura de fuga da realidade. Foge-se para qualquer lugar: o passado (a
Idade Média ou a infância), o futuro, a natureza, o sonho, a loucura, o “eu”, a
vida boêmia, a morte.
Filhos de
uma nação
O
nacionalismo, uma das mais discutidas características do Romantismo, é uma
consciência partilhada por um grupo de indivíduos que se sente ligado a uma terra e que possui uma cultura e uma história comuns, marcadas por eventos
vividos em conjunto.
A
Revolução Francesa trouxe o sentimento nacionalista para a Europa do século
XIX. A transformação política decorrente do processo revolucionário estabeleceu
o princípio de que a soberania não tem existência em si mesma: ela deriva da
nação, do povo como um todo. O estado não pode mais ser visto como uma
“propriedade” particular do governante – como era no Absolutismo –, ele só se
legitima na medida em que incorpora a vontade do povo que o constitui.
O
indivíduo deixa de ver-se como um súdito do rei e passa a ser o cidadão de uma
terra unida, a pátria. É da união dessas duas idéias (o povo dotado de
soberania e unido em uma nação) que nasce o ideal nacionalista.
O
nacionalismo romântico emerge com força total na Alemanha, onde surge o
conceito de “alma do povo” (“volkgeist”), pelo qual cada povo é único e
criativo e expressa seu gênio na linguagem, na literatura, nos monumentos e
tradições populares.
Fique por dentro!!!
A
estética romântica assumiu uma feição anticlássica, proclamando a
liberdade individual do artista, eximindo-o da necessidade de imitação dos
clássicos greco-latinos.
O
sentimento nacionalista fez com que lendas populares de inspiração medieval
fossem recuperadas, para valorização do heroísmo e da nobreza de
caráter, permitindo a construção de uma identidade nacional que recuperasse
a "alma do povo".
A
livre expressão de sentimentos conferiu aos românticos a alcunha de sentimentalistasa
e individualistas, associando-os à manifestação de uma imaginação
intensa, permeada pela atividade noturna e sonhadora. Em decorrência disso, a fuga
da realidade era marcante nas obras literárias do período.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Prosa Romântica no Brasil
A prosa literária
brasileira começa de fato no Romantismo, com os folhetins, que são histórias
publicadas em capítulos nos jornais. Quando uma dessas histórias fazia sucesso,
era lançada em forma de livro. Assim nasceram quase todos os romances
importantes do século XIX no Brasil.
Tendências do romance romântico
De acordo com o tema
principal que desenvolvem, os romances românticos podem ser classificados em:
· Romance urbano – desenvolve temas relacionados à vida na
cidade.
· Romance sertanejo ou regionalista – aborda temas e
situações que se passam longe dos centros urbanos. Focaliza a gente do
interior, com seus costumes e valores peculiares.
· Romance histórico – volta-se para o passado, numa
reinterpretação nacionalista de fatos e personagens da nossa história.
· Romance indianista – enfoca a figura do índio, idealizando-o.
Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882)
Extraindo da vida
social da época personagens e situações, Joaquim Manuel de Macedo transpunha
para o romance os tipos humanos que circulavam pelas casas e festas burguesas
do Rio de Janeiro: o estudante conquistador, a moça namoradeira, o velhote
metido a galã. As paisagens eram as praias desertas e convidativas ou as matas
da Tijuca, por exemplo.
Além da estruturação do
enredo – arte de prender a atenção do leitor, que Macedo rapidamente dominou -,
a linguagem simples e coloquial é outro aspecto que aproxima ainda mais o autor
de seu público. Suas personagens falam dos mesmos assuntos que as pessoas de
seu tempo, usando a mesma linguagem.
Suas principais obras foram
A moreninha, considerado por muitos
estudiosos o primeiro trabalho romântico brasileiro digno de nota e O moço loiro.
Bernardo de Guimarães
(1825-1884)
Quando esquentavam os
debates sobre a questão abolicionista, Bernardo de Guimarães escreveu o romance
A escrava Isaura, uma obra que
apresenta todos os elementos tipicamente românticos e, apesar do título, não
chega a enfrentar o problema da escravidão. É um caso de amor que move o
romance, e não o problema social e humano da escravidão.
Taunay (1843-1899)
O interior do Brasil,
com seus tipos humanos característicos e suas rígidas normas de comportamento
social e familiar, constituiu uma fonte de grande interesse para os escritores
românticos, que, na verdade, abriram o filão do romance sertanejo para a nossa
literatura. A obra Inocência, de
Alfredo d’Escragnolle Taunay, é considerada o melhor romance sertanejo do
Romantismo.
Taunay deixou uma obra
extensa, composta de romances, contos, peças de teatro, memórias etc. seus
principais livros são: Inocência (1872)
e A Retirada da Laguna (1874, diário
de guerra).
O romance Inocência transcorre no ambiente rústico
do interior do Mato Grosso. A jovem Inocência apaixona-se por Cirino,
curandeiro ambulante que passava por médico e fora levado a sua casa pelo pai,
Pereira, um mineiro rude, para tratar da saúde dela. Cirino é o primeiro homem
a despertar-lhe realmente as emoções do amor, criando nela uma grande
perturbação íntima, pois estava prometida ao rude vaqueiro Manecão.
Além de Cirino,
encontra-se na casa de Pereira um naturalista alemão, Meyer, que estava no
Brasil à procura de novas espécies de borboletas. Desconhecendo os preconceitos
que marcavam a vida familiar sertaneja, Meyer não esconde sua admiração pela
beleza de Inocência. Isso preocupa Pereira, que passa a vigiá-lo
constantemente, dando oportunidade a Cirino de comunicar-se mais facilmente com
a moça.
Com a partida de Meyer,
as coisas se complicam, aumentando o medo de Inocência, que teme uma reação
violenta do pai caso venha a saber do romance. A jovem instrui Cirino a
procurar seu padrinho para que ele convença Pereira a concordar com o
rompimento do compromisso com Manecão. Na ausência de Cirino, porém, o idílio é
descoberto por Tico, um anão que espreitava continuamente Inocência. Manecão persegue
Cirino e o mata. Algum tempo depois, morre Inocência.
José de Alencar (182-1877)
A obra do mais
importante prosador do Romantismo pode ser assim esquematizada:
· Romance social ou urbano à Cinco Minutos, A Viuvinha, Lucíola, Diva, A Pata da Gazela, Sonhos
d’Ouro, Senhora, Encarnação.
· Romance regionalista à O gaúcho, O tronco do ipê, Til, O sertanejo.
· Romance histórico à O Guarani, As minas de Prata, A Guerra dos Mascates.
· Romance indianista à Iracema, Ubirajara.
Nos romances sociais,
Alencar revela seu talento de observador da alma humana, fazendo o estudo de
certas figuras femininas. A esses estudos ele deu o nome de “perfis femininos”,
dentre os quais se destacam o de Aurélia (em Senhora) e de Lúcia (em Lucíola).
Alguns anos depois, Machado de Assis aprofundaria essa linha de análise
psicológica do romance brasileiro.
Alencar destaca-se por
ter defendido um estilo “brasileiro” na língua literária. Reivindicando o
direito dos brasileiros a uma língua e literatura com fisionomia própria
(porque isso era uma inevitável conseqüência do nosso desenvolvimento como
nação independente), Alencar protestou contra os puristas, que achavam que
nossos escritores deveriam escrever tal como se fazia em Portugal: “É essa
submissão que eu não tolero; e, como já disse uma vez, quebraria a pena antes,
do que aceitar semelhante expatriação literária. Admiremos Portugal nas
tradições grandiosas de seu passado; nos esforços generosos de seu
renascimento; prezemos sua literatura e seus costumes; porém, nunca imita-lo
servilmente. Importaria anular nossa individualidade”.
Manuel Antônio de Almeida
(1831-1861)
Em 1852, os capítulos semanais
do folhetim Memórias de um sargento de
milícias, publicado pelo Correio
Mercantil, do Rio de Janeiro, começam a fazer sucesso entre os leitores
cariocas. Ninguém sabia quem era o autor, pois ele se escondia atrás do
pseudônimo “Um brasileiro”. Mas com certeza era alguém que conhecia muito bem
os becos, as praças, as tradições e os tipos humanos da cidade do Rio de
Janeiro, onde transcorria a história. Publicado mais tarde em livro, esse
folhetim do carioca Manuel Antônio de Almeida passou a ocupar um lugar especial
na história do nosso Romantismo.
Memórias de um sargento de milícias mostra a vida da gente
do povo, que vive nas casinhas simples do Rio de Janeiro “do tempo do rei” (D.
João VI). A figura central, que garante a unidade das várias ações que se
sucedem num ritmo bastante dinâmico, é Leonardo, filho enjeitado de Leonardo
Pataca e Maria da Hortaliça e que foi criado pelos padrinhos: a parteira (a
comadre) e um barbeiro (o compadre).
O romance conta as
peripécias de Leonardo, seus casos com a mulata Vidinha, o namoro sério com
Luisinha (com quem acaba casando-se no final) e seus planos para conseguir
escapar da vigilância do severo major Vidigal, sempre de olho nele.
domingo, 25 de outubro de 2015
sábado, 24 de outubro de 2015
Realismo/Naturalismo no Brasil
A segunda metade do século XIX foi um momento de profundas transformações na fisionomia do ambiente sociocultural europeu. Este cenário consolida uma nova cosmovisão, que se contrapõe ao sentimentalismo predominante nas artes durante o século anterior. É bem verdade que Castro Alves, na poesia, e Manuel Antônio de Almeida, na prosa, prenunciam um pouco dessas transformações literárias.
Com referências em novas concepções científicas, a Literatura apresenta mudanças. Teorias como o Socialismo, de Marx, o Determinismo, de Taine, o Positivismo, de Comte, e o Evolucionismo, de Darwin, imiscuem-se nos textos literários.
Características Literárias
>> objetividade
>> racionalismo
>> análise descritiva dos problemas da vida
>> retrato psicológico das personagens
>> linguagem equilibrada
>> detalhismo
Marco inicial
No Brasil, o marco inicial do Realismo é o ano de 1881, quando ocorre a publicação de 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', romance de Machado de Assis (1839-1908). O público leitor da época, acostumado ao modelo romântico, ficou impressionado com a irônica narrativa póstuma de uma personagem da burguesia brasileira repleta de ironias finas e humor velado, denunciando a hipocrisia da época. Mais do que isso, Machado adentra nos porões da existência humana, abordando assuntos intrínsecos a todos os homens.
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| 'Memórias Póstumas' ganhou uma adaptação cinematográfica no ano 2000, dirigida por André Klotzel |
Naturalismo
Tendência do Realismo, o Naturalismo propõe uma descrição objetiva dos fatos sociais, enxergando o ser humano como um produto biológico. Nessa ótica, o comportamento humano é compreendido como o resultado da pressão social e da hereditariedade. Em outras palavras, os instintos – despertados pelas condições sociais – impulsionam as pessoas.
Marco inicial
Semelhantemente ao Realismo, o
Naturalismo teve seu marco inicial no ano de 1881, quando da
publicação da obra 'O Mulato', de Aluísio Azevedo (foto). Na época, a obra chegou a ter uma repercussão superior ao livro machadiano 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'. Vale salientar que no Brasil o público já estava, de certa forma, familiarizado com a estética naturalista, até mesmo por causa da publicação de 'O primo Basílio' (1878), do português Eça de Queirós, que teve grande repercussão em solo tupiniquim. Características Literárias
>> objetividade
>> forte influência do darwinismo
>> a realidade é apresentada de forma científica
>> romance de tese
>> linguagem coloquial
>> detalhismo
>> aspecto sexual
Principais autores
Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Raul Pompeia, Rui Barbosa, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio, Manuel de Oliveira Paiva e Inglês de Sousa.
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